hoje, estou a pensar na inveja, sim na inveja que algumas pessoas sentem e a alimentam em silêncio
A inveja
Este ano tomei conhecimento da inveja de uma forma que para
mim era inacreditável!
Por motivos de sobrevivência, tenho de me virar com a prata
da casa, hospedes!
Pouco depois do falecimento de minha mãe, remodelei um pouco
a casa, precisei de rasgar em mim a dor de retirar e modificar tudo o que ela
amou e criou com tanta luta, dor, sofrimento e alegria, cada peça embalava uma
história que eu recordava e chorava
Três meses depois, pensava eu, adulta a caminho da terceira
idade, que conseguia depois de um breve descanso, abrir as portas de par em par
a estranhos
Aparece uma senhora, chorosa, dorida, lambendo as feridas
como uma alma perdida, a senhora, não me era estranha de todo, trabalha numa
loja perto de casa faz pelo menos vinte a
trinta anos, cara conhecida, também fui cliente da loja por isso acreditei!
A colega, sempre foi respeitada e todos a conhecem como da
família do dono, dava referências impecáveis dela, e assim ela entrou dia 1 de
setembro em minha casa.
Demo-nos bem, carpimos as dores, choramos juntas e
elogiamos o poder de sofrer, ela viuva do companheiro fazia um ano, eu com o
calor e o rosto de minha mãe ainda em
mim
Não sou rica, ela para me atrair captou logo o controlo de
uma série de coisas, eu queria acima de tudo que ela se sentisse bem, chegava o
estar a perder tudo o que ela disse
Enfrentamos este estranho confinamentos de final de ano, ela
não parou de trabalhar pois prestam serviços de arranjos
Todos os dias eu ficava feliz, tinha alguém para falar,
contava histórias fantásticas do seu passado, era divertida e eu deixei-me ir
As coisas mudam quando começas a querer fazer alguma coisa e
ela desdenha o que fazes, percebes que julga-se dona da casa e fala mal de ti
ao seus como se estivesse a falar de um estranho, e tu estás ali ao pé
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