trajei de invisível
misturei-me nas paredes
de vida
em passo apressado
corriam amantes
para os desaires
sonolentos
não lentos
atinavam o passo
num compasso
de espera
a esfera
do mundo
ouvia-se no mutismo
da carruagem
sem voz
translúcido
em cada momento
em que frenético
isolava o ouvido
com os fones
da desdita
vida
bendita
a ida
porque na vinda
embrulhei-me
em sombras
bancos
paredes
cheiros
silêncio
alguns
mortificados
gesticulavam
em vão
mas expressavam
sem coração
a desilusão
outros
nem tantos
mantinham a surdez
como capa para a nudez
experientes
em andanças
transavam
em equilíbrio
o delírio
do sonho
com o guloso
de um olhar
pecador
como somos
demasiados
nos silêncios
do esgar
sem amar
sem falar
sem pensar
sem deslumbrar
sem perceber
que o caminho
está de volta
na reviravolta
de um amanhã
sem manhã
Antonieta Osório 10-4-2013
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