Pesquisar neste blogue

domingo, 31 de janeiro de 2021

 comprei no google um livro sobre o holocauto gitano de María Sierra

com estes tempos de confinamento, até estou a aprender a fazer compras na net e a ler no pc, isto para uma velhota de 60 anos uiuiuiiii já acusa a idade mas a curiosidade ainda está intacta! 


vale a pena ler, sentir, ouvir e memorizar


Vincent Niclo & Angélique kidjo «Le Boléro de Ravel» (HD 1080p)


simplesmente magnifico!

sábado, 30 de janeiro de 2021

Concierto del MAESTRO ALFREDO KRAUS en el teatro Colón de Buenos Aires ...

Sumi Jo J. Strauss Blue Danube Waltz

Хворостовский, Гаранча | Hvorostovsky, Garanca, Moscow 29.10.2015

Sumi Jo & Dmitri Hvorostovsky: The Merry Widow duet

 hoje, estou a pensar na inveja, sim na inveja que algumas pessoas sentem e a alimentam em silêncio

A inveja

Este ano tomei conhecimento da inveja de uma forma que para mim era inacreditável!

Por motivos de sobrevivência, tenho de me virar com a prata da casa, hospedes!

Pouco depois do falecimento de minha mãe, remodelei um pouco a casa, precisei de rasgar em mim a dor de retirar e modificar tudo o que ela amou e criou com tanta luta, dor, sofrimento e alegria, cada peça embalava uma história que eu recordava e chorava

Três meses depois, pensava eu, adulta a caminho da terceira idade, que conseguia depois de um breve descanso, abrir as portas de par em par a estranhos

Aparece uma senhora, chorosa, dorida, lambendo as feridas como uma alma perdida, a senhora, não me era estranha de todo, trabalha numa loja perto de  casa faz pelo menos vinte a trinta anos, cara conhecida, também fui cliente da loja por isso acreditei!

A colega, sempre foi respeitada e todos a conhecem como da família do dono, dava referências impecáveis dela, e assim ela entrou dia 1 de setembro em minha casa.

Demo-nos bem, carpimos as dores, choramos juntas e elogiamos o poder de sofrer, ela viuva do companheiro fazia um ano, eu com o calor e o rosto de minha mãe ainda  em mim

Não sou rica, ela para me atrair captou logo o controlo de uma série de coisas, eu queria acima de tudo que ela se sentisse bem, chegava o estar a perder tudo o que ela disse

Enfrentamos este estranho confinamentos de final de ano, ela não parou de trabalhar pois prestam serviços de arranjos

Todos os dias eu ficava feliz, tinha alguém para falar, contava histórias fantásticas do seu passado, era divertida e eu deixei-me ir

As coisas mudam quando começas a querer fazer alguma coisa e ela desdenha o que fazes, percebes que julga-se dona da casa e fala mal de ti ao seus como se estivesse a falar de um estranho, e tu estás ali ao pé

O QUÊ QUE PESAM DA INVEJA?

PORQUÊ QUE SE INVEJA?
NÃO CONSIGO PERCEBER

 


chove
minhas lágrimas 
ficam doces
e meus olhos
podem ocultar
a dor
minha alma
lava-se em gotas
silenciosas
sinto 
cada peça de mim
está colada a mim
a chuva moldou-me 
deixou-me 
despida
o peso é imenso
carrego o mal
carrego-me
a mim
chove
as minhas lágrimas 
adoçam
chove
tudo escorre
em silêncio
chove
a canção do gotejar
vem beijar
as minhas lágrimas
salgam por fim
 adocicado  chover

Antonieta Osório
17-1-2015

A bondade do homem pode ser escondida, mas nunca extinta.

Nelson Mandela


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

 

fugindo á propaganda do livro, autor e editora, este foi um dos melhores livros que li sobre Aauschwitz

este livro é baseado numa história real, por vezes pensamos o que é o amor? 


Bolero, Jorge Donn en "Los unos y los otros" versión completa

Liberación de Auschwitz: ¿Por qué recordar el holocausto? - El Espectador



O QUE DEVEMOS TEMER 
O QUE DEVEMOS LEMBRAR
PARA MAIS NINGUÉM FAZER
PARA MAIS NINGUÉM MORRER
A MINHA RAÇA É A TUA
A MINHA RAÇA É A DE TODOS NÓS

 



hoje apetece-me esquecer o amanhã

não sei porquê
perdi a ilusão





não me procures

estarei ausente de mim
por fim

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

VANUPIÉ - ROCKADOWN - SUBWAY SESSION (FEAT. LIDIOP)



trajei de invisível
misturei-me nas paredes
de vida
em passo apressado 
corriam amantes
para os desaires
sonolentos
não lentos
atinavam o passo
num compasso 
de espera
a esfera
do mundo
ouvia-se no mutismo
da carruagem
sem voz
translúcido
em cada momento
em que frenético 
isolava o ouvido
com os fones
da desdita
vida
bendita 
a ida
porque na vinda
embrulhei-me
em sombras
bancos
paredes
cheiros
 silêncio
alguns
mortificados
gesticulavam
em vão
mas expressavam
sem coração
a desilusão
outros
nem tantos
mantinham a surdez
como capa para a nudez
experientes
em andanças
transavam
em equilíbrio
o delírio 
do sonho
com o guloso 
de um olhar 
pecador
como somos 
demasiados
nos silêncios
do esgar
sem amar
sem falar
sem pensar
sem deslumbrar
sem perceber
que o caminho
está de volta
na reviravolta
de um amanhã
sem manhã
Antonieta Osório 10-4-2013



 

Love The Way You Lie - Skylar Grey

 pedi-te um sorriso

um abraço
um laço
para unir o desprezo
fosse amor
cegaria de desdém
pedi-te um abraço
solto o braço
marcaste-me a cara
fosse amor
cegaria de tanto afecto
pedi-te um laço
queria unir
punir
o ponto fraco
de tanta união
pedi-te um laço
pedi-te um sorriso

Antonieta Osório
28-04-2013

Phantom Of The Opera - Masquerade



uma maravilha!

 olá, 

aleatória a forma de ser 

fazemos por viver 

em confinamento

demente

da crença de todos nós

agora é a altura de sermos realmente seres humanos

temos a hipótese de finalmente ser os tais animais racionais!

tenham juízo

fiquem em casa

usem a máscara 

finalmente mascaramo-nos 

a máscara já não cai em palco!

Antonieta 25-01-2021

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 

um conto solto, está em letra grande porque foi feito directamente no pc e na altura escrevinhava a horas bem tardias, por vezes tinha de escrever em grande para conseguir


O OBJECTIVO ERA SAIR, CORRER, IR VER O MAR, ALI, JUNTO A TANTA VASTIDÃO O MUNDO ACONTECE E ESQUECE.

COMO UMA ROCHA FIRME ELA LÁ ESTAVA A OBSERVAR O MAR, SUA FIGURA IMÓVEL ENTERRAVA OS PÉS EM CADA QUEBRA DE UMA ONDA, NADA A DEMOVIA DO SEU SENTIDO.

OBSERVAR O MAR, PROCURAR NELE AS SOMBRAS DE UM BARCO, DE UM GESTO, DE UM ADEUS FEITO À MUITO

NINGUÉM SABIA QUEM ELA ERA NEM COMO APARECEU ALÍ, DIZEM QUE FOI NO DIA A SEGUIR À TEMPESTADE QUE FEZ NAUFRAGAR UM VELEIRO, OUTROS, CONTAM QUE FOI MESMO NO DIA DA TEMPESTADE QUE ELA APARECEU FAZENDO-SE AO MAR QUE A DEVOLVEU COMO UMA CUSPIDELA PARA A AREIA, ESTAVA COBERTA DE ALGAS E A ESPUMA DA FURIA MARITIMA MISTURAVA-SE COM A DELA, OUTROS, ENCOLHEM OS OMBROS E ACEITAM-NA COMO A POBRE COITADA

NADA DIZ, VAI E VEM SEM NUNCA FALAR, PERMANECE MUDA E QUÊDA NO SEU EMBRULHADO BLUSÃO QUE DE TANTO APERTO RECLAMA EM CADA BRISA A VONTADE DE SE LIBERTAR.

ALI ESTAVA ELA, FIGURA INDEFENIDA, TRAÇOS FINOS QUE SÃO ESQUECIDOS NOS VINCOS ENRUGADOS DE UM ROSTO SEM FACE

NADA MEXE EM SEU SEMBLANTE, PERCEBE-SE UM CORPO DELGADO, FRANZINHO POIS O VENTO ATREVE-SE A TOCÁ-LA FAZENDO BOLSAS DE PEQUENO VOLUME NUNS ESPAÇOS DESPERCEBIDOS NA QUIETUDE.

TANTOS A VÊ-LA, PASSAM E VIRAM-SE PARA VER SE PROVOCARAM ALGUM EFEITO, DESANIMADOS, DÃO PASSOS PARA TRÁS PEDINDO UM GESTO, UM SORRISO, UMA EXPRESSÃO, TUDO É EM VÃO

OS APOLOS, ELEITOS PELO TRABALHO DE GINÁSIO, FAZEM PEITO , PASSAM PELA FRENTE  A CHAMAR PELO CÃO QUE TAMBÉM ELE A CHEIROU E DESPREZOU COMO UM IGUAL, NADA PRODUZ UMA REACÇÃO

COM OS RAIOS A DEITAREM-SE NUM MAR REPOUSADO DE UM DIA DE TRAVESSURAS, ELA SUSPIRA, SEGURA-SE NUM ABRAÇO TRESMALAHDO DE PRANTO E ATRAVESSA, ATRAVESSA-NOS, OLHA EM FRENTE E VOLTA A SUSPIRAR COM TAL DOR QUE AOS NOSSOS OLHOS CHEGAM LAGRIMAS E O PEITO SUFOCA-NOS COM UM SOLUÇO REPENTINO, A SOLIDÃO VISITA OS NOSSOS CORAÇÕES.

BEBEMOS EM SILÊNCIO, EM CADA ROSTO LEMOS A NOSSA DOR

ACONTECE SEMPRE O MESMO, NINGUÉM PERCEBE QUE A PODE SEGUIR, VER PARA ONDE VAI, SABER O CAMINHO QUE RETOMA

NÃO, NINGUÉM PERCEBE QUE ELA FOI EMBORA, AMANHÃ ELA VOLTA E TODOS IRAM SENTIR O BEIJO FRIO DE UM DIA.

NAQUELE DIA A PRAIA FERVILHAVA DE GENTE NOVA, TINHA COMEÇADO A ÉPOCA BALNEAR PARA MUITOS, A CONVERSA CORRIA FRESCA, SOLTA, ERAM OS GRITOS DE CERVEJA, GELADOS, ÁGUA, SANGRIA, TREMOÇOS E TANTOS PETISCOS MAIS QUE NINGUÉM PERCEBEU OU VIU A SUA CHEGADA

OS SORRISOS DAS CRIANÇAS PASSARAM A ZUMBIDOS, OS PEDIDOS COMEÇARAM A SER ESQUECIDOS, OS JOGOS FICARAM SEM JOGADORES, TODOS GANHARAM CONSCIÊNCIA

ALI ESTAVA ELA, AS MESMAS VESTES, O MESMO ASPECTO MAS HOJE AGITAVA-SE, GEMIA

QUERIA EXPRESSAR UM SORRISO, DIZER UMA PALAVRA, AGITAVA A MÃO COMO QUE A PEDIR PARA A VEREM, PARA A SENTIREM, VEM, VEM TER COMIGO, PEDIA ELA NAQUELES MOVIMENTOS DESCOORDENADOS, AGITAVA A CABEÇA, MEXIA OS LÁBIOS MAS CONTINUAVA EM SILÊNCIO

AS CRIANÇAS, DA CURIOSODADE PASSARAM AO MEDO, SEM APEGO FORAM PARA JUNTO DAS MÃES E ESCONDIAM-SE COMO PODIAM, OS ADULTOS, EVITAVAM VER, SENTIAM A IMPOTÊNCIA E A IGNORÂNCIA DO PROCEDER

TRESLOUCADA PELA LOUCURA DO MOMENTO, UIVOU DE RAIVA E CAMINHOU PELO MAR ADENTRO COM UMA BELEZA E SIMPLICIDADE QUE TODOS A OLHAVAM COM INDIGNACÇÃO, FOI TARDE QUE PERCEBERAM A SUA INTENÇÃO, JÁ A SOMBRA DE SUA MÃO TINHA DESAPARECIDO NO HORIZONTE QUANDO DESPERTOS OS SALVA VIDAS CORRERAM EM SEU SOCORRO.

O MAR CALMO, ENCHEU-SE E EMPURROU-OS PARA A PRAIA, TENTARAM NOVAMENTE MAIS INCRESPADO ELE FICOU, FORAM VÃS AS TENTATIVAS, UM A UM OS SALVA VIDAS ERAM ATIRADOS PARA A AREIA DA PRAIA COM UM SAFANÃO NUNCA VISTO

QUANDO POR FIM, EXAUSTOS E RENDIDOS DEIXARAM-SE QUEBRAR NA AREIA E DOBRARAM-SE DE CANSAÇO, O MAR DEVOLVEU-LHES UM CORPO BELO, CABELOS SOLTOS, ROSTO TRANQUILO ILUMINADO POR UM SORRISO

APRESSADOS RETOMARAM SUAS FUNÇÕES, FORAM OUVIR E SENTIR O CORPO

DESPEDIRAM-SE DELE HORAS MAIS TARDE QUANDO A POLÍCIA O LEVOU PARA AS MEDIDAS IMPESSOAIS DE UMA MORGUE

NO DIA SEGUINTE, TODOS SE VIRAM, ESTAVAM NOS MESMOS LUGARES, APÓS UM SILÊNCIO, TODOS SE CUMPRIMENTARAM, FALARAM UNS COM OS OUTROS NUM MURMURIO DE RESPEITO E ADMIRAÇÃO.

ENTRE AS ALEGRIAS E AS FESTAS DE VERÃO, ALGUNS RESIDENTES FALAVAM DELA, AQUELA DESGRAÇADA QUE AO MAR SE LANÇOU

NINGUÉM SABIA MAIS DO QUE PENSAVA SABER

NO CAFÉ, OS ARTISTAS RETRATAVAM A SUA FIGURA EM RABISCOS DE CARVÃO, LÁPIS, LAPISEIRA, TELAS FEITAS NA PAIXÃO DO ALCOOL ERAM DESCRITAS COMO A SUA ALMA

TODOS A RECORDAVAM

JÁ NUM DIA TARDIO DE OUTONO EM QUE O VENTO FUSTIGAVA A AREIA CONTRA AS PAREDES DO BAR COM A FURIA DE QUEM QUER O SOSSEGO DOS PROXIMOS DIAS, SURGIU UM CARRO, NOVIDADE NA ZONA, TODOS IAM DE BICICLETA OU NAS VELHAS MOTOS POIS POR ALI NINGUÉM TINHA DINHEIRO PARA UM CARRO MUITO MENOS PARA AQUELE, QUE CARRO!

COMEÇOU UM BURBURINHO DE ADMIRAÇÃO, QUE AOS POUCOS FOU PASSANDO A BOCA ABERTA PELO NUNCA VISTO

DE DENTRO DA VIATURA, SAI UM SENHOR ALTO, DE TÉS MORENA E ROSTO TALHADO EM PEDRA, ABRE A PORTA DO ACOMPANHANTE E DELA, SURGE UM ROSTO FAMILIAR A TODOS, OUVE-SE UMA ESCLAMAÇÃO

RESPIRAM FUNDO PARA SE RECOMPOREM, AQUELE MOMENTO ERA PRECIOSO

OLHAM O INFINITO QUE LHES RESPONDE COM UM MAR FLAT COBERTO DE OURO

TIRAM UMA COROA DE FLORES QUE PROVOCOU NAS MULHERES UM OLHAR AO MARIDO COMO A DIZER, VÊS? É DAQUELAS QUE EU GOSTO

MAS O MOMENTO ERA OUTRO, AQUELA SUPLICA FICARIA PARA DEPOIS

EM PASSO CERTO SEM HESITAÇÕES, CAMINHARAM PARA O MAR, DOBRARAM-SE EM ORAÇÃO E OFERECERAM-LHE A COROA

ESTE, SENTINDO SUAS DORES, AGITOU-SE E BEIJOU-OS

NUM GESTO AMIGO, CAMINHARAM DE BRAÇO DADO, ENTRARAM NO CAFÉ ONDE O SILÊNCIO ERA TAL QUE NEM OS CÃES SE ATREVIAM A LATIR, LADRAR OU UIVAR

LOGO LHES FOI CEDIDA UMA MESA, SENTARAM-SE E ESQUECIDOS POR UM MOMENTO, OLHARAM OS PRESENTES, UM A UM

TODOS SE SENTIRAM NÚS

OS SENTIMENTOS EXPOSTOS POR AQUELE OLHAR, DESPIU-OS COMO SE ESTIVESSEM PRONTOS A SEREM LAVADOS NUMA ÁGUA ABENÇOADA

LEVANTA-SE A SENHORA E AGRADECE-LHES TUDO O QUE FIZERAM

DURANTE MESES ELA CONVERSAVA COM O MAR SOBRE O MOMENTO DE SE ENTREGAR EM SEUS BRAÇOS E EM CADA DIA ELA PERCEBIA QUE NÃO PODIA

ELES ESTAVAM ALÍ

MAS…FOI O SUSSURO DE TODOS

É VERDADE, ELA ENTREGOU-SE AO MAR NUM DIA CHEIO DE GENTE, MOVIMENTO E AGITAÇÃO, É VERDADE

NESSE DIA, VOÇÊS NÃO ESTAVAM SÓS, ESTAVAM DISTRAIDOS COM OS VISITANTES POR ISSO ELA JÁ PODIA IR

NÃO PENSEM MUITO, ELA SEMPRE QUIS IR TER COM O SEU AMADO, O QUE EM TEMPOS NAUFRAGOU NUM VELEIRO JUNTO À COSTA, NUNCA SE SOUBE DELE

NESSE DIA, FIQUEI A SABER QUE ELA IA TER COM ELE, FALTAVA SABER QUANDO

ELA FOI FELIZ, PARTIU COM O SORRISO

OBRIGADA A TODOS POR A TEREM DEIXADO OCUPAR O VOSSO PENSAMENTO

ELA CHAMAVA-SE EMMA

Lisboa,  2016

Antonieta Osório


 


é estranho como o vazio enche a alma
Antonieta Osório (16-0902013)



 espero que gostem de passar um bocado aqui nesta folha com notas soltas de quem está confinada como todos 

 hoje recordo, choro só de pensar que foi-se no tempo a memória

NAQUELE DIA, O SOL DESPIA A CAPA DA NEBLINA, TUDO GANHAVA VIDA.

ENTREGUE AOS PENSAMENTOS, TODOS SE ESTICAVAM NUMA DEMANDA MATINAL QUE AFLURAVA MORNA.

A CHUVA FEZ-SE SENTIR DURANTE O LONGO E CHOROSO INVERNO, AGORA, TUDO SE SENTE A MOVIMENTAR PARA REAPARECER, JOVENS REBENTOS RECLAMAM COM VIGOR O SEU LUGAR EM RAMOS QUE POUCO A POUCO VÃO FICANDO COM OS GALHOS COBERTOS POR CORES JUVENIS

E UM A UM VEMOS E SENTIMOS OS IDOSOS A CAMINHAR, VÃO DEVAGAR, DEIXAM O SOL BEIJAR-LHES O ROSTO, AQUECER AS MÃOS QUE ASSIM FOGEM DO BOLSO,O CASACO,  ESTE SIM, AINDA CARREGA O FRIO DE TANTA INVERNIA.

COMPRIMENTAM-SE COM UM RITUAL DE ALEGRIA, HOMENS E MULHERES BEIJAM-SE COM CALOR E CONTAM AS DORES QUE OS PRIVARAM DE CONVIVER.

ENROSCADA E DEVAGAR APARECESTE E SORRISTE, TODOS OS CAVALHEIROS TIRARAM O CHAPÉU, APERTARAM-TE A MÃO, TODAS AS SENHORAS DERAM-TE DOIS BEIJOS E SORRIRAM,

Parte de um apontamento escrito em 2015

Antonieta Osório 

Memories - Song & Lyrics Cover by One Voice Children Choir

 

Correm encolhidos, tolhidos de ideias

Frescos trémulos correm

Não disfrutam o frio

Não sentem no rosto

Não se despem à dor

Não deixam o corpo chorar

Desfrutar

Da dor que sente ao ser beijado

Abraçado

Amado

Por uma tormenta

Não tremem

Não sentem

O prazer de ser enlaçado

Num vento

Louco

Que sopra sem regra

Não sentem a loucura

Da natureza

Não disfrutam a solidão

De um dia de inverno

(Não sabem o que perdem)

 Antonieta Osório ( inverno de 2015 ) 

domingo, 17 de janeiro de 2021

Som de Chuva e Trovoadas - Para Dormir e Relaxar - Sons Relaxantes da Na...



faz-me falta o cheiro da terra

PAI NOSSO AFRICANO



sons do Continente onde é estão guardadas as minhas origens

 

CHUVA
é doce o teu som
embala
é suave o teu ronronar
nesse momento de amar
beijas meu rosto
num momento
doce de silêncio
em cada gota
sinto um alento
não tenho dom
é suave
o teu toque
frio
doce
amargo
escorre embriagado
ébrio 
solto
morto
um beijo
ficou esquecido
é doce o teu som
embala

Antonieta Osório ( 17-1-2015 )

Louis Armstrong - Only You

hoje estou cansada, nada demais por isso, estou mais estranha
anda tudo louco com o confinamento, que confinamento???
hoje andavam centenas para não dizer um milhar de pessoas a andar de bicicleta, famílias inteiras!!! velhos a passearem e com as calmas pois estava sol, atletas equipados a rigor, seguem à risca as normas, máscaras?? o que é isso? está no queixo, está na mão de bicicleta não dá, a correr não se respira bem!

pois é, morrer é fácil!

 é o que pensa esta malta que corre com os escapes da cidade,  respiram fundo, pois então, faz bem! os de bicicleta fazem o mesmo e já estão a ensinar as crianças a seguirem o mesmo caminho.
Ar puro, faz falta
vão para zonas verdes, não podem ir porque estão confinados, caminhem com máscara e a devida distância.

aqui na minha zona as coisas só acalmaram com a chegada da polícia, até andava uma carrinha a vender pão e como são conhecidos, dois dedos de conversa com quatro ou cinco juntos, não faz mal a ninguém



ensinem-me a morrer
cada dia é um grito
um suplicio
ensinem-me a morre

Antonieta Osório ( escrito em 31-7-2015!! ainda actual!!)




naquele dia 
a memória
sorria
a realidade
morria


Sorri
a vida mentiu
por ti
sorri


Antonieta Osório (14-9-2014)

quero ver se consigo voltar a escrever, não sei escrever, considero escrevinhar 
 gosto do meu escrevinhar mas a vida tem rasgado páginas de mim
vou ver se consigo voltar




terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Marisa Lis

um momento mágico 

para os braços de minha mãe


Marisa Liz - Para os braços da minha mãe (Pedro Abrunhosa Cover)

 


          

a vontade morre em minhas mãos
sedentas de vida
acarinham a alma
num coração destroçado
a vontade morre em minhas mãos
elaboro sonhos
de filmes mudos
ocos desejos
num coração amargurado
a vontade morre em minhas mãos
vejo quem amo a caminhar 
num passo de vivido
tremo de medo
solidão sem vida
é vida sem perdão
a vontade morre em minhas mãos
traço o universo
rabisco o firmamento
projecto o infinito
nada concretizo
a vontade morre em minhas mãos
nelas
nem a esperança acalento
tudo morre nas inúteis mãos
que embalam a solidão
 
Antonieta Osório
2-8-2015


                                             

 e com tudas estas arrelias, recebo a noticia que morreu uma grande amiga minha, amiga que cuidou de mim quando estava no colégio, deu-me colo, proteção, mimo e muitas alegrias pois era um doce de pessoa

todos a chamavam de Jeta 

meu Deus que estranhos destinos estás a traçar no meu caminho...

Omara Portuondo - Omara Portuondo (Full Album)

 é triste ver uma pessoa alcoolizada, ferida e sentida descarrega a furia em tudo em todos

não controla as emoções, os sentidos e muito menos pensa no que diz, são asneiras, palavrões, acusações graves de todo o tipo.

que desperdício! por norma são más e agressivas, sentem as frustrações como queimaduras, atiram e cospem se sentido, misturam as verdades com as mentiras e invenções do que uma cabeça consegue fabricar

tenho mesmo pena!

e agora uma musica para ver se aguento a noite acordada porque estou com medo


  

Edith Piaf - La vie en rose (Officiel) [Live Version]

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 olá meus amigos, 

este último ano foi talvez um dos piores de sempre para mim, esta pandemia que não passa, leva-nos a situações desesperantes! e ainda temos pessoas que não respeitam as normas de pelo menos um convivio saudável, respeito todas as ideias e opiniões e é esse respeito que devemos ter por todos nós! mais, tenho uma admiração extraordinária pelos bombeiros, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, técnicos  e todos, muitos,  que fazem serviço público seja ele qual for. Bem Haja a todos eles 

mas não foi só a complexidade da pandemia que chegou e ficou, a minha princesinha partiu no dia 10 de Maio, um enfarte do miocárdio, entrou dia 6 no hospital, que loucura! seguiu na ambulância com um " astronauta" entrou numa tenda e foi feito de imediato o texte covid 19, deu negativo, estava a fazer um enfarte, dia 7 tentam desobstruir mas o processo foi doloroso e a princesinha já estava muito fraca, a hemodialise e o isolamento forçado a que era sujeita, quebraram as resistências e a vontade, dia 8 esteve sossegada, dia 9 foi fazer hemodialise e fez novo enfarte, dia 10 às 9,45 acendeu-se mais uma estrelinha no céu.

o horror da solidão fez de mim sua aliada, tentei viver o dia a dia sem pensar muito, viramos a casa do avesso, quase toda, porque estou velha para trabalhar e por uma acto generoso perdi um ano de ss assim  foi que  entre o final de maio até meio de agosto ,tudo foi mexido e preparado par alugar quartos, a estudantes!!! nem esses tiveram um ano como deve ser.

 depois fiz uma pausa com os meus, a minha irmã que em nada é parecida comigo, ainda bem, ela é uma vencedora, o meu cunhado e os meus sobrinhos que adoro! 

Setembro de 2020 aparece-me uma senhora para ver um quarto, vem sofrida, estava viuva faz um ano e não tinha casa etc...

foi como uma vida nova, não tinha de comer sozinha, não tinha de rever recordar em cada objecto ou em cada som a minha mãe, pensava eu

foi divertido e fez-nos bem até que a bebida mandava mais que o resto, falar alto, dizer mal dos vizinhos, prédio, gritar comigo e depois pedir desculpas etc etc

e muito podia eu contar mas a toda uma estória dela pena quando a irmã avisou que ela tinha alturas em que ficava maluca, eu  fiquei na duvida mas (sempre o mas)

tenho de deixar de ser parva e estupida

falei um pouco porque é a primeira vez que vejo directamente alguém a beber mesmo! 

será que vale a pena chegar a um ponto em que tudo gira no redondo de uma garrafa?

gostava de ter opiniões, vamos ver