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quarta-feira, 19 de julho de 2017

E aqui estou eu!
Voltei, senti saudades de conversar um pouco, não estou tola, estou só deste lado mas tenho-vos aí, do outro lado, a ler e a ver
Imensas coisas aconteceram neste espaço de tempo, foram alegrias, descrições de corações com a vinda de Sua Santidade a Fátima, abençoado gesto de um homem por Deus abençoado no dom da bondade e talvez igualdade.
Foram os fogos, que dor!
O incêndio de Pedrogão Grande, nunca devia ter existido, somos crentes de que tudo se faz, será?
Interrogo-me com dor e sem pudor desta realidade, a vida humana deixou os sentimentos de parte, senti-me um nº macabro a ver, gastam-se fortunas, dizem, em equipamento que na altura tem as suas avarias, passam cabos aéreos pela mata, são incendiáveis, será caro isolar?
Abrir o chão e reclamar um pedaço para nossa segurança e até para a segurança desse chão, fazer passar e cruzar a espinha dorsal das comunicações, impossível? Não sei mas o que posso eu saber? Sou um Zé Ninguém a pensar com os meus botões
Outros fogos houve, há e a dor tem diferentes rostos com os mesmos esgares de sofrimento
Deixei que tudo isso viesse um dia a ser lembrado com menos dor e menos raiva pelo sofrimento de tantos
Hoje, vou viajar por Aveiro, terra linda de mar e cheiro, maresia feita de moliço salpicada de sal
Numa pitada única de doces sabores feitos de ovos, partem para além mar em barricas e formas marinhas com o adocicado de uns ovos-moles
Adoça a boca só o pensamento de tal iguaria!
Mas antes de a provar, há que sentir a ria nos braços de um moliceiro

Com arte e sabedoria, o mestre lê as águas que vão de feição nas marés, faz zarpar o moliceiro que lento escorre pelos canais feitos veios de uma cidade sem igual

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