| um capricho do telemóvel que ficou perfeito! a descida da maré |
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segunda-feira, 31 de julho de 2017
Hoje tenho saudades de Cascais, sinto a falta do seu cheiro a maresia, aquele cheiro
que me diz que estou quase a ver o mar
Saudades de caminhar no pontão quando o dia ainda é uma
criança e os adultos fogem do seu crescimento, por vezes é lento mas de Verão é
um crescimento veloz de gentes, suores, risos, gargalhadas, corridas,
campainhas, gritos de alegria e os gritinhos de quem tenta mergulhar naquele
mar presenteiro
Gosto do Verão em Cascais, ganha um linguajar próprio,
caminha de mãos dadas com os turistas, no começo estão mansinho e branquinhos, acabam risonhos e rosadinhos!
O nosso sol é doce mas desconhece os que por aqui passam num
flash de tempo tostando-lhes os narizes e os ombros
Tenho saudades de percorrer aquelas ruelas apertadas, de
esquinas inventadas sem visão para o peão, sinto a falta do silêncio dessas
ruas, do som de um cão ao longe, do salto quase imperceptível do gato, tenho
saudades de sentir!
Mais ainda, tenho saudades de ver o mar, deixar-me estar
Esvaziar de mim tudo o que sinto, deixar-me vazia, nua e
feliz
Em cada sussurro de onda, em cada splash no pontão, em cada
evasão e fúria da maré eu sinto-me na ré a comandar o meu navio
Perdida em memórias, sinto o meu coração a pulsar ao ritmo
das ondas, vão e regressam numa canção de embalar, tem dias em que o ar fica
tranquilo, em paz com ele mesmo, nessas alturas, deixo-me ficar a meditar,
embrulho em mim todos os segredos e enterro-os na areia para partirem na maré
No verão, o ritmo de ir e vir é tranquilo, oferece a todos
um entardecer lento e preguiçoso, estica o dia em tons de fantasia
No Inverno, passa do sossego ao rugido, trovões e relâmpagos
atiram-se a ele num ribombar que passa os muros e os pontões criados para o
domar
Que saudades de ver, sentir, cheirar e viver o mar!
A turquesa, a esmeralda, o cinzento, o azul, o branco, a cor
do reflexo, a cor da vida, as cores da minha saudade
É assim a pequena vila de Cascais!
As casas, os palácios, os jardins complementam a beleza, o
parque Palmela, mais radical fica próximo da marginal mas a passagem do parque
Marechal Carmona não tem igual, sai da marina e sobe até perto do museu do Mar museu D. Carlos e da Casa das Histórias da Paula Rego, vejo e revejo sempre! O caminhar no
sossego de um parque que se veste de pontos únicos e acabar a ver os quadros da
Paula Rego, são um balsamo para mim! Tenho amigos que não gostam dela, eu adoro
mas compreendo-os, ela é nua e crua como a vida, as estórias da nossa infância
foram sempre povoadas por contos cheios de monstros que ninguém quer admitir,
madrastas más, bruxas más, papões, invejosos, orgulhosos e pessoas com desdém
pelo próximo, recordem alguns e vão ver que sim, a branca de neve, a cinderela,
o João Ratão etc etc
Ela deu-lhes vida e libertou todos os demónios e fantasias
de uma vida premente de magia! Para além de tudo, a sua técnica de desenho é
fabulosa!
Satisfeita, atravesso o jardim e entro no museu do mar, museu D.Carlos, homem de ciência de gostos artísticos, tem uma habilidade para a pintura que o vai levar a ser reconhecido aqui e além mar, as suas aguarelas são de uma beleza e suavidades impressionantes, também ele é genial no seu traço, a visita a estes dois museus, faz-me sentir completa, vejo e revejo o génio e o vigor actual no contraste da genialidade e suavidade do passado, melhor? possível mas para mim chega-me esta maravilha que tantas vezes fez parte de mim.
Saudades de sentir, ver e rever
Mas Cascais de Verão tem gente a mais, festivais e barulho a
mais, fervilha de oportunistas.
No Outono, Inverno e Primavera, nós conversamos com a vila, ela deixa-se conhecer e deixa-nos
descobrir os seus cantos e encantos.
Tenho saudades do meu mar
Saudade de ir no combóio e sair a correr para a praia da
Conceição dizer bom dia!
Saudades de pisar a areia e deixar-me enraizar
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