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sábado, 11 de março de 2017

e porque por vezes escrevo
não sei se bem
não sei se mal
escrevo
chega para mim

feito dia 2 de Maio de 2015


hoje
estou a ver as minhas mãos
no corre corre do dia
olho para elas e sigo
estão limpas
estarão?
por elas passaram milhões
agora contam tostões
por elas passaram amores
agora são de humores
com elas desenhei
agora restauro
com elas amei
tanto pequei
agora gordas
disformes
doridas
traduzem as feridas
sem calos
sem algemas 
sem grilhões
cheias de recordações
hoje vejo as minhas mãos
acariciei vidas
afaguei choros
escondi emoções
fiz gestos 
obscenos
no contraste do carinho
amei
desenhei sombras
encantei
fiz rir
sorrir
nelas acalentei
as crianças 
que não sendo de mim
foram ter a mim
mãos gordas
de dedos disformes
não me tornes
sem perdão

Antonieta Osório

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